domingo, 29 de junho de 2008

Prova de Economia - Parte 2


A Transição para o capitalismo e a elaboração do pensamento mercantilista

[Continuando com a prova de Economia e seus temas interessantes e fundamentais]


O que é o Mercantilismo:
O Mercantilismo é um conjunto de práticas cujo objetivo era obter e preservar a riqueza. Como fazê-lo? Acumulando ouro e prata, pois a quantidade de tais metais era fator determinante para a medição da riqueza de uma nação. Os defensores desta prática tinham uma crença arraigada na escassez da riqueza: para uma nação enriquecer, outra empobreceria. Daí o acirramento das disputas entre as nações e a noção de que a ‘balança comercial’ tinha sempre de estar favorável (para manter-se rico um país devera exportar muito mais do que importar – conceito que encontra eco até hoje em algumas economias, como a brasileira, por exemplo).

Segundo Hunt e Sherman, a primeira fase do mercantilismo, denominada usualmente bulinismo, refere-se ao período durante o qual a Europa se ressentiu da escassez de ouro e prata em lingotes (necessários em virtude do comércio, amplamente desenvolvido).

OS FISIOCRATAS E O MERCANTILISMO

O termo mercantilismo é geralmente empregado para designar a fase inicial do capitalismo. Na verdade toda a teoria mercantilista é uma ‘falácia da composição’ (como as partes de um todo têm uma certa propriedade, argumenta-se que o todo tem essa mesma propriedade. Esse todo pode ser tanto um objeto composto de diferentes partes, como uma coleção ou conjunto de membros individuais.Exemplos: a) Cada tijolo tem três polegadas de altura, portanto a parede de tijolo tem três polegadas de altura, b) Um homem rico é um homem que possui muito ouro/prata; logo, (uma nação rica é aquela que também possui tais metais em abundância), esta crença da época é demonstrada também por Huberman, conforme segue:

“A Espanha foi, no século XVI, talvez o mais rico e poderoso país do mundo. Quando os homens inteligentes de outros países perguntavam a razão disso, julgavam encontrar as repostas nos tesouros que ela recebia das colônias. Ouro e prata. Quanto mais tivesse, tanto mais rico o país seria – o que se aplicava às nações e também às pessoas.''

Pensadores:

Um dos defensores desta prática foi William Petty (segundo Roberto Campos, alguns o definiriam como cameralista, pois apesar de defender o comércio internacional como fonte de acumulação, também pregou que o acúmulo de moeda poderia ser tão ruim para uma Nação quanto sua escassez).

Segundo Heilbroner, um dos primeiros teóricos (hoje denominados ‘economistas’) a se opor a este conceito foi o médico francês François Quesnay, que foi um fundador de uma escola econômica denominada Fisiocracia; que denominava que a riqueza não era um sólido acúmulo de ouro e prata,mas originava-se da produção.

Mas quem melhor conseguiu pôr a ‘nu e cru’ a sua época foi Adam Smith, com seu livro “A riqueza das Nações”.

O MERCANTILISMO E SUAS PRÁTICAS EQUIVOCADAS

O pensamento do homem da época: O que ele via como riqueza era, de fato, o acúmulo de metais, entendimento este totalmente desculpável se nos permitirmos verificar que os grandes descobrimentos e o colonialismo trouxeram a países europeus uma riqueza inimaginável (apenas para exemplificar, a participação que a coroa inglesa teve numa única viagem de Francis Drake permitiu àquele país pagar toda sua dívida externa e ainda investir o excedente com lucros que por muito tempo foram a raiz da riqueza daquele).

Como poderia o homem da época conceber outra forma de riqueza? Tal conhecimento, como um parto foi moroso e doloroso e por muito tempo os procedimentos protecionistas do ‘Estado’ decorrentes deste conceito equivocado foram o pesadelo de muitos.

Muitos foram os exemplos citados por Leo Huberman:

a) a proibição de exportação de ouro e prata pelo Rei da Espanha (Vezena, 13 de dezembro de 1596),
b) a proibição da saída do país, de moedas de prata, pelo camarista papal (Roma, 29 de janeiro de 1600),
c) estabelecimento de tarifas protetoras,
d) estabelecimento de prêmios dados pelo governo pelos produtos manufaturados para a exportação,
e) proteção a uma classe comercial/industrial em detrimento de outras (proibição de exportação de lã para beneficiar o desenvolvimento da industria tecelã),

Muitas destas práticas, podemos observar ainda hoje em diversos países, a saber:

a) Imposição, pelo governo dos Estados Unidos, de sobretaxa ao suco de laranja brasileiro, como medida para proteger os produtores de laranja americanos
b) Imposição, pelo governo da Argentina, de restrições comerciais a produtos eletrodomésticos (fogões e geladeiras) brasileiros, como medida para desenvolver a indústria argentina
c) Alta tarifação de países da América Central (Tarifa média permitida sobre produtos agrícolas: de 42% na Costa Rica, 41% em El Salvador, 49% na Guatemala, 35% em Honduras e 60% na Nicarágua) a produtos importados

O que parece um benefício (alta tarifação) impede o desenvolvimento e a especialização dos produtos. Nenhuma Nação consegue produzir tudo que seu povo necessita (até mesmo por questões geográficas – como exemplo citamos os países de clima excessivamente gélido que não possuem rebanho bovino): se todos os países adotassem a mesma prática, o comércio tenderia a definhar, e com ele, a possibilidade de aquisição de produtos essenciais aos homens.

Se hoje tal prática pode ser reprovável, que dirá naquela época? Imaginemos o quanto sofreram os homens que não eram agraciados com tais proteções estatais? Por óbvio que o descontentamento gerou reclamações; às primeiras vozes juntaram-se outras e um grande eco exigiu mudanças.

A DERROCADA DO MERCANTILISMO: ADAM SMITH
Adam Smith, criou a teoria da ‘mão invisível’ que se traduz de forma simples: o interesse particular leva a uma ação que por fim beneficia a todos.- [será, Sr. Smith?! Credibilizando a teoria da relatividade: isso também é relativo.]

Crescimento econômico de toda a Nação (investimento gera empregos, proporciona riqueza, etc) Exemplo: o homem acumula riquezas (poupa capital); se alcançar maiores lucros, faz investimentos (abre uma fábrica, uma loja, etc); este investimento gera riqueza (lucros, empregos, etc) e por fim, o benefício da atuação deste homem beneficia a toda a Sociedade.
Concentração de riquezas (poupança)
Investimento em busca do lucro (interesse individual)

Para Adam Smith, apesar da inexistência de uma entidade coordenadora do interesse comum, a interação dos indivíduos parece resultar numa determinada ordem, como se houvesse uma ‘mão invisível’.

Mas para Smith, para que tais forças funcionem corretamente, não pode haver intervenções de quaisquer espécies. Segundo Heilbroner, Smith aponta e expurga distorções do conceito, como a formação de monopólios (concentração de poder do mercado nas mãos de poucos produtores)

“O grande inimigo do sistema de Adam Smith não é exatamente o governo pe se, mas o monopólio sob qualquer forma. ‘As pessoas do mesmo ramo de negócios raramente se encontram’, diz Adam Smith, ‘mas quando o fazem sua conversa acaba em uma conspiração contra o povo ou de alguma maneira para aumentar os preços’. E o problema com essas determinações não é tanto que sejam moralmente condenáveis por si só – elas são, acima de tudo, apenas a inevitável conseqüência do interesse próprio do homem – mas por impedirem que o funcionamento do mercado flua normalmente. É claro que Smith tem razão. Se o funcionamento do mercado é destinado a produzir a maior quantidade de mercadorias aos preços mais baixos possível, qualquer coisa que interferir com o mercado abaixará necessariamente o bem-estar social''

Heilbroner, em seu livro, coloca Adam Smith sob um título “O mundo maravilhoso de Adam Smith” e o faz por haver entendido que para a época, a doutrina do Sr. Adam, sua explicação do mundo e das forças que o regem ter sido, para o homem da época, como um ‘descortinar de temores’. Adam Smith escreveu o livro não para seus alunos, mas retratou uma ´época inteira. Se seus conceitos não se mostraram assim tão ‘maravilhosos’, isso é matéria que foi descoberta muito tempo após.


O mercantilismo foi uma prática comercial do início do capitalismo, que consistia no equivocado pensamento de que o acúmulo de metais significava riqueza, simples ‘falácia de composição’ que não se sustenta.

Apesar disso, muitas práticas mercantilistas são adotadas até hoje por muitas nações (EUA, Argentina, países da América Central, etc).

Um dos primeiros economistas que defenderam o mercantilismo foi Petty, e um dos primeiros que a ele se contrapôs foi Quesnay, mas quem levou duzentas páginas para derrubá-lo foi Adam Smith.

Sr. Adam defendia que o mercado deveria ser ‘deixado em paz’, pois existia uma espécie de ‘mão invisível’ que naturalmente convertia o interesse egoístico (busca pelo lucro) num benefício para todos (riqueza, trabalho, etc), apontou que qualquer intervenção, por menor que fosse, mudaria as forças naturais e prejudicaria o crescimento.


Sr. Adam...essa ''mão invisível'' rouba muita gente.

N.P.

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